Serviço é uma das destacáveis marcas do Cristianismo. Estudei com a igreja na quinta feira passada a despedida do Apóstolo Paulo dos presbíteros da Igreja em Éfeso (Atos 20:17-34), e destaquei o serviço como uma das principais marcas de um ministério autêntico para Deus. Paulo serviu, porque era servo. Servo, para Paulo não era um título, uma falsa humildade ou sentimento de auto-comiseração diante dos maus tratos que sofria no ministério. Era a sua verdadeira identidade. Nas cartas às igrejas, a sua primeira identidade é “Paulo, servo de Jesus Cristo...” (Rm.1:1). A tendência da nossa época, mesmo entre nós evangélicos é pelos títulos de poder e hierarquia espiritual onde muitos se colocam acima dos outros, como se o título desse-lhe crédito diante de Deus. Alguns se auto-intitulam bispos, apóstolos, profetas ... tentando com o título impressionar e se perpetuar no “trono” do seu reino denominacional ou comunitário, dominados pela síndrome de diótrofes. Conforme III João 9, Diótrofes era um líder da Igreja cristã muito ambicioso, que queria ocupar a primazia na Igreja. Não fomos chamados para mandar. Fomos chamados para servir“Servindo ao Senhor...” (Atos 20:19) - Fica claro que há um só que é Senhor e todos nós servos do Seu Reino. O espírito que deve dominar o nosso ser interior é o mesmo do Profeta Isaías, quando viu O Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, caiu por terra e se rendeu dizendo: “Eis-me aqui Senhor” (Is.6:8). O menino Samuel, mesmo sem discernir quem o chamava a princípio, aprendeu como responder ao chamado divino: “Fala Senhor, que o teu servo ouve”. Hoje, se cria uma teologia rasteira de divinização do homem e humanização de Deus. A idéia desta heresia é eu falo, Deus ouve e faz o que eu quero, porque é obrigação dele me atender! Não basta para estes pretensiosos o que afirma as Escrituras acerca da encarnação do verbo?. Cristo, sendo Deus, se fez servo, foi obediente até a morte (Fl.2:6-8). Conforme está escrito, o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc.10:45). Ele deixou-nos o exemplo de verdadeiro servo, porém, não podemos confundir as coisas!. O Cristo que se humilhou, recebeu um nome que está acima de todo nome, “ para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai”(Fl.2:10-11). O Apóstolo não serviu os seus interesses, não serviu o seu ventre, não fez monumentos em torno de si mesmo, para que o seu nome fosse exaltado. Ele disse, eu sou o menor, eu não sou digno de ser chamado Apóstolo.
O Rev. Hernandes Dias Lopes, escrevendo sobre o assunto diz: “Quem serve a Deus não anda atrás de aplausos e condecorações. Quem serve a Deus não depende de elogios nem desanima com as críticas. Quem serve a Deus não teme ameaças nem se intimida diante das perseguições. Quem teme a Deus, não teme aos homens, nem ao mundo, nem mesmo ao diabo...”.
O Apóstolo Paulo foi assim. Serviu ao Senhor com humildade, lágrimas e provações. Não buscou o seu interesse, não se achava o melhor, não fazia do púlpito, nem da posição privilegiada do ministério um palco de apresentações de vaidades pessoais. Ele estava consciente que o ministério não era um mar de rosas, pois, ao invés de aplausos, recebeu ameaças, prisões, açoites, desprezo, traição e ferrenha oposição dos falsos obreiros. Apesar de tudo dizia: “Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor, de anunciar o Evangelho da Graça” (Atos 20:24).
Somos servos, sacerdotes de um Reino, cujo Dono é Rei dos Reis e Senhor dos senhores. O Reino de Deus carece hoje de menos títulos de reverendos, pastores, presbíteros apóstolos, bispos, missionários e muito mais homens e mulheres que em primeiro lugar sejam (identidade) servos de Cristo Jesus. Crentes que se coloquem à disposição do Seu Senhor e sirva-O com humildade como serviu o Apóstolo Paulo.

Rev. Cloves Azevedo de Oliveira
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